
"Que no silêncio das estrelas encontremos sopros divinos a nos guiar rumo às águas profundas de nossa alma, peregrina na eternidade" Germana, 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Harmonia

São pra ti.
Despretensiosa beleza nos arrebata o coração e revira a mesmice, abana o tédio.
Altera o percurso do pensamento que passa a tilintar sonatas que elevam a alma aos patamares do sagrado fogo do Amor.
Melodias beliscam a luz produzindo filetes coloridos, raios cintilantes, relâmpagos.
Um templo em harmonia é nossa alma quando alcançamos notas sublimes.
Quero sustentar notas agudas.
Meu templo está em todo canto que me oferte mansidão, doçura, calor, proteção, meiguice.
Gosto de tudo o que cabe na infinitude do Amor, do querer bem.
Desejo a harmonia dos pássaros em revoada. Desejo a mansidão das águas após sua tormenta. Desejo a doçura do mel, saltitante, disperso no vôo das abelhas.
Precipite-se sim, em ser melhor. A harmonia está no mistério da boa fé.
Fé em tudo o que possa melhorar através do empenho dos que acreditam num amanhã melhor.
Crer num amanhã melhor é crer em si mesmo.
Eu acredito em você e em mim.
E você?
Limites da Tolerância (por Leonardo Boff)
"Tudo tem limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo. Os profetas de ontem e de hoje sacrificaram suas vidas porque ergueram sua voz e tiveram a coragem de dizer: "não te é permitido fazer o que fazes". Há situações em que a tolerância significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou comodismo.
Não devemos ter tolerância com aqueles que têm poder de erradicar a vida humana do Planeta e de destruir grande parte da biosfera. Há que submetê-los a controles severos.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que assassinam inocentes, abusam sexualmente de crianças, traficam órgãos humanos. Cabe aplicar-lhes duramente as leis.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que escravizam menores para produzir mais barato e lucrar no mercado mundial. Aplicar contra eles a legislação mundial.
Não devemos ser tolerantes com terroristas que em nome de sua religião ou projeto político cometem crimes e matanças. Prendê-los e levá-los às barras dos tribunais.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que falsificam remédios que levam pessoas à morte ou instauram políticas de corrupção que delapidam os bens públicos. Contra estes devemos ser especialmente duros, pois ferem o bem comum.
Não devemos ser tolerantes com as máfias das armas, das drogas e da prostituição que incluem seqüestros, torturas e eliminação física de pessoas. Há punições claras.
Não devemos ser tolerantes com práticas que, em nome da cultura, cortam as mãos dos ladrões e submetem mulheres a mutilações genitais. Contra isso valem os direitos humanos.
Nestes níveis não há que ser tolerantes, mas decididamente firmes, rigorosos e severos. Isso é virtude da justiça e não vício da intolerância. Se não formos assim, não teremos princípios e seremos cúmplices com o mal.
A tolerância sem limites liquida com a tolerância, assim como a liberdade sem limites conduz à tirania do mais forte. Tanto a liberdade quanto a tolerância precisam, portanto, da proteção da lei. Senão assistiremos a ditadura de uma única visão de mundo que nega todas as outras. O resultado é raiva e vontade de vingança, fermento do terrorismo.
Onde estão então os limites da tolerância? No sofrimento, nos direitos humanos e nos direitos da natureza. Lá onde pessoas são desumanizadas, ai termina a tolerância. Ninguém tem o direito de impor sofrimento injusto ao outro.
Os direitos ganharam sua expressão na Carta dos Direitos Humanos da ONU, assinada por todos os paises. Todas as tradições devem se confrontar com aqueles preceitos. Se práticas implicarem violação daqueles enunciados não podem se justificar. A Carta da Terra zela pelos direitos da natureza. Quem os violar perde legitimidade. Por fim, é possível ser tolerantes com os intolerantes? A história comprovou que combater a intolerância com outra intolerância leva à aspiral da intolerância. A atitude pragmática busca estabelecer limites. Se a intolerância implicar crime e prejuízo manifesto a outros, vale o rigor da lei e a intolerância deve ser enquadrada. Fora deste constrangimento legal, vale a liberdade. Deve-se confrontar o intolerante com a realidade que todos compartem como espaço vital. Deve-se levá-lo ao diálogo incansável e fazê-lo perceber as contradições de sua posição. O melhor caminho é a democracia sem fim que se propõe incluir a todos e a respeitar um pacto social comum".
Fonte: http://www.leonardoboff.com/
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
SERENIDADE
“Quando não conseguimos encontrar tranqüilidade dentro de nós mesmos, de nada serve procurá-la noutro lugar” Autor Desconhecido.Nossos corações desejam encontrá-la, ávidos que são por consolo e conforto emocional. Mas na pressa e no automatismo em que temos levado nossas vidas fica difícil a concretização deste encontro. Precisamos estar de alma leve, de coração aberto para percebê-la e aceitá-la na nossa intimidade.
A serenidade não vem gratuitamente. Ela é conquistada arduamente, passo a passo. Ela é fruto de intenso trabalho onde educamos nossos impulsos com vistas a elevarmos nossas ações aos patamares do respeito mútuo e do amor ao próximo. Ela é o resultado de um nobre embate entre o que habita em nossos corações de mais ferino e sua substituição pela paciência e tolerância.
Com serenidade tomamos posições emolduradas pela sabedoria e recheadas de doçura, firmeza e compaixão.
Ter um coração sereno é experimentar leveza e harmonia interior, até mesmo diante das tormentas que a vida nos apresenta. Confunde aquele que interpreta isto como uma possível postura de negação da realidade, ou até mesmo atribui a esta conduta um posicionamento alheio ao que está em volta de si. Muito ao contrário, a conexão profunda com este estado propicia um maior equilíbrio interior, onde o seu grau de lucidez e prudência fica gradativamente aumentado, sentindo-se você mais fortalecido para o enfrentamento de seus problemas.
Assim, vemos que serenidade nada tem a ver com passividade, mas com atividade e interferência direta naquilo que lhe afeta.
Todo homem sábio é sereno. É manso. É tranqüilo. É, por assim dizer, infinitamente mais feliz porque conhece bem os seus limites e, portanto sabe bem até onde deve e pode ir. Nunca avança sua linha divisória que o mantém distante da autodestruição.
Conhecer-nos a nós mesmos seria um bom caminho a nos indicar a rota para este maravilhoso encontro com nossa serenidade. Ela habita terrenos sagrados onde guardamos nossos maiores tesouros; aqueles que conquistamos através de bravos confrontos e, ao sairmos vencedores destas batalhas levamos para sempre na nossa intimidade: paz interior, mansidão, afabilidade, como também, firmeza de propósitos e autodeterminação.
Cabe-nos, portanto, a tarefa contínua de permanecer nesta busca, entendendo que o nosso maior aliado é nosso próprio esforço e que do somatório de nossas ações nesta direção dependerá nossa colheita.