
Falar de ciúme é por si só complexo.
O ciúme é voraz e sutil; vai se apossando de nós tal como o fogo vai derretendo a vela progressivamente.
Cuidado com ele. Quando você vê, já se deixou tomar pela sua astúcia.
Dizem que o ciúme deixa a pessoa cega e que ela chega a fazer coisas das quais nem imaginaria.
Por isso mesmo precisamos enfrentá-lo.
Claro que todos nós somos fisgados por ele em algum momento, mas o que não podemos é deixar que ele nos sugue rumo ao território do controle e da posse. Ficar neste terreno é, no mínimo, estressante; é como se você ficasse em estado constante de alerta, e isto inevitavelmente gera um certo estresse que, dada as devidas proporções, esgota você e o outro.
Quando o ciúme se faz presente, podemos perceber nossa criança interna se manifestando, deixando nos escapar aspectos bastante reveladores de nossas inseguranças e fragilidades emocionais.
Vendo isto caberia uma reflexão: que cuidados poderíamos ter para que este sentimento não nos tome por completo?
Conviver com uma pessoa ciumenta é muito cansativo. Parece que você precisa, constantemente, dar explicações de quase tudo o que faz, pois se tem a impressão de que tudo é motivo de desconfiança. Quando não, você é requisitado a confirmar seus sentimentos por ele(a) a todo instante em que se sinta ameaçado.
Qualquer fantasia de abandono é vivenciada com um certo pânico, trazendo desespero e aflição para a convivência.
Sabemos que não se trata de uma opção, isto é, a pessoa não faz uma escolha deliberada para ser ciumento. É uma questão mais complexa e bastante delicada de se tratar, mas o fato é que requer uma atenção melhor e, dependendo da situação, uma abordagem psicoterapêutica do caso. Acredito que deva ser um labirinto existencial também para quem o sente nesta intensidade mais evidente.
É preciso então cuidar de nossas emoções. A nossa saúde mental traz benefícios, primeiramente para nós mesmos e, como consequência, para os que estão a nossa volta.
Costuma-se acreditar que tem coisas que o tempo por si só cura; que a maturidade vem naturalmente ao nosso encontro. Não é bem assim. O tempo cronológico transcorre de forma objetiva e quantificável, enquanto o tempo emocional se comporta de maneira particular, exigindo co-participação, isto é, precisamos imprimir esforços próprios para que algumas questões sejam superadas.
Mergulhar no nosso universo íntimo pode revelar muitas respostas e permitir que o segredo do labirinto comece a ser decifrado.
Muita Paz!!!!
