quarta-feira, 4 de julho de 2012



ORAÇÃO DA AMIZADE

 Que sejas abençoado com bons amigos.
 Que aprendas a ser um bom amigo para ti mesmo. 
 Que sejas capaz de viajar àquele lugar na tua alma onde existe 
 Grande amor, calidez, sentimento e perdão. 
 Que isso te modifique.
 Que isso transfigure o que é negativo, distante ou frio em ti.
 Que sejas apresentado à verdadeira paixão, parentesco e afinidade da vinculação.
 Que prezes os teus amigos. 
 Que sejas bom para eles e que estejas lá para eles; que eles te
 Tragam todas as bençãos, desafios, verdade e luz de que 
 Necessitas para a tua viagem. 
 Que nunca fiques isolado. 
 Que sempre fiques no sereno refúgio da vinculação com teu ANAM CARA. 


 Anam é palavra gaélica para alma, e Cara significa amigo. No mundo celta Anam Cara significa "amigo da alma".

 O´DONOHUE, JOHN, ANAM CARA - Um livro de sabedoria celta.

domingo, 4 de março de 2012


Almas perfumadas

Ana Cláudia Saldanha Jácomo
(Para minha avó Edith)


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor

segunda-feira, 8 de março de 2010

CONHECIMENTO E SABEDORIA





"Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa”. Tao-Te-Ching


Conhecimento nos remete ao acúmulo de conteúdos.
Sabedoria implica manejar com qualidade o conhecimento que temos sobre algo.
Muitas são as pessoas que muito sabem, mas que tão pouco se elevam com o acúmulo que têm. Queremos aqui refletir conjuntamente sobre como estamos utilizando nossos conhecimentos para nossa melhoria como seres humanos. O meu ofício, a minha dedicação aos estudos, o meu trabalho, a prática de tudo isto tem conseguido me tornar alguém cada dia melhor? Em que me engrandece o meu labor?
Perguntas como estas devem nos guiar rumo a buscar mais sabedoria na vida. Conhecer, acumular conhecimentos é sempre bom, mas saber utilizá-los com retidão e inteireza é um passo importante no caminho da sabedoria.
Quando olho para trás e me comparo com o que sou hoje, identifico que melhorei como pessoa? Consigo visualizar reformas significativas na minha personalidade? Pois bem, seremos mais sábios à medida que aplicamos bem as lições aprendidas com o amor, com a humildade, com a solidariedade. Dedicarmo-nos tão somente ao aprendizado de teorias sem trazê-las para sua aplicabilidade no contexto em que estamos de pouco vão nos servir.
Assim também funciona com os aprendizados existenciais.
Precisamos nos fortalecer nas atitudes engrandecedoras, aquelas que, além de conhecimento, nos proporcionem sabedoria.
Os sábios são aqueles que com o pouco que sabem objetivamente conseguem ver mais longe que a maioria. Sua visão da vida se compara a alguém que se encontra no mais alto topo de uma montanha, enquanto os outros estariam de olhos voltados para o chão que pisam.
A sabedoria consiste em termos visão de águia e um coração nobre diante de tudo o que nos cerca.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O AMOR..











Falar e pensar no amor já nos faz sentir bem por si só.
Compreendê-lo não é tarefa tão fácil, e para tal precisamos mergulhar no nosso mais profundo ser e olhar do que se alimenta nossa alma. Lá, onde estão guardados nossos mais preciosos sonhos e desejos, está também, no espaço mais nobre, a centelha divina do Amor nutrindo nosso ser em toda sua plenitude e integrando nossas contradições.
É concordância quase unânime que defini-lo, é tarefa quase impossível. Este nobre sentimento é tão sublime e tão profundo que não cabe em descrições; somente quando o experienciamos é que temos a percepção de sua grandiosidade. É como se ele inundasse nosso ser nos deixando incapacitados para descrevê-lo.
Sua presença é fato constante em nossas vidas.
Quem não tem uma história de amor para contar?
Quem não tem uma percepção sobre este sentimento baseado em vivências próprias e/ou referenciadas em histórias de pessoas próximas?
Histórias de amor sempre nos capturam. Elas conseguem nos transportar para um universo particular onde toda aquela lógica meramente racional se esvanece e ficamos embevecidos de vibrações positivas, de felicidade.
O amor é contagiante. Sim, porque sem que você perceba lhe invade, tal como uma música harmoniosa que lhe transporta para outros universos paralelos, escondidos no seu mundo interior.
Como falar do amor sem ser redundante?
É difícil não sê-lo, pois são tantas facetas, são tantos elementos que ele nos apresenta que fica complicado ser objetivo e preciso ao comentar sobre seu efeito em nós.
O amor está em nós ou chega até nós?
Será que conseguiríamos visualizar alguma linha divisória entre o dentro e o fora de nós?
Pensar e sentir o Amor nos eleva ao estado de verdadeira comunhão. Isto é, a um estado onde não há dentro e fora, mas uma profunda intercessão entre o meu mundo interno e o do outro. Imaginem como se nossos corações se comunicassem e dissessem um para o outro: quanta beleza vejo em você. Entramos assim numa sintonia de quase irmandade, de verdadeira fraternidade. O sentimento de amar é o que nos aproxima autenticamente uns dos outros. O Amor não conhece fronteiras, não discrimina, não evidencia as diferenças numa ótica negativa, pejorativa, mas aprende com isto, nos ampliando a consciência.
Comunhão, palavra profunda que nos facilita a compreensão de que o amor está dentro e fora de nós; ele é este todo que nos envolve fazendo-nos sentir compaixão, solidariedade e, claro, também nos conduz ao caminho do enamoramento, do apaixonamento.
Todos nós, em algum momento da vida, tivemos a oportunidade de nos apaixonar por alguém. Sabemos o quanto isto gera prazer e dor. Por isto dizem que a paixão se aproxima de um estado de adoecimento da alma. Dói ficar apaixonado, pois tudo é sentido intensamente.
Mas o Amor vai além da paixão, além da pessoa amada, vai além de nós. O verdadeiro amor é transcendente, nos liga ao divino que há em nós; tem o poder de nos conectar com todas as nossas virtudes simultaneamente.
O amor é poderoso, é transformador, é revolucionário.
O ícone de maior referência, na nossa cultura, que exemplifica isto está na figura de Jesus. Ele nos deixou impresso em suas atitudes e palavras o maior legado do significado do Amor Verdadeiro. Tal amor não conhece fronteiras, não distingue raças, não aponta diferenças sociais. Ao contrário, vem trazer a comunhão entre os povos nos ensinando que amar o outro é aceitá-lo com suas particularidades.
Amar sempre é um maravilhoso exercício que nos eleva o coração e a alma levando-nos a superar nossas próprias fronteiras.
O verdadeiro Amor , assim como a primavera, não escolhe jardim.
Sejamos jardins possíveis para que a primavera sempre nos visite e lembremos também aos que nos rodeiam que ela chegou.

domingo, 12 de julho de 2009

"Manual de Instruções para a Vida"

Compartilho aqui com vocês um vídeo que nos conduz com muita sensibilidade a refletirmos sobre como estamos construindo nossos valores na vida.

Que manual estamos usando na nossa vida?

Com carinho sempre,

Germana



domingo, 21 de junho de 2009

O BAILE




Lá estava eu admirando os rodopios no salão. Eram incansáveis aqueles belos corpos, habitados por jovens espíritos, se remexendo harmoniosamente aos mais variados sons: salsas, boleros, merengues, xotes etc. O ritmo não importava, o que não podia acontecer era a música parar. Assim estavam eles, leves, quase flutuantes, marcando dois pra lá e dois pra cá.

Fui abduzida por toda aquela vitalidade que, às vezes, surpreendia pela extensa cronologia que suas almas carregavam. Talvez esta leveza não correspondesse em nada com os muitos anos de vida que cada um daqueles(as) senhores (as) acumulavam através do tempo. Suas histórias de vida já pesavam 60, 70 e mais de 80 anos. Nada disso os impedia de voar; deslizavam naqueles tacos de madeira, cheios de vida e esquecimentos. Sim, porque ali só cabiam as alegrias. Tudo o mais que fosse necessário precisava ser esquecido.

Lindos casais!
As saias, meio cafonas e cheirando a guardado, esbanjavam volume naqueles fartos cortes godês.

Pensava eu sobre suas histórias de vida, suas perdas; será que eram solitários?
Mas, em dado momento, nada mais disto importava. Só queria beber daquela fonte de jovialidade. Pensei: será que precisamos envelhecer para reconhecermos o que de fato nos faz felizes? E até lá? Permanecemos míopes?

Vim embora não só com o corpo requisitando música, movimento, mas também com fome de vida. Eu quero agora aquela alegria! Quero tudo o que a vida puder me oferecer. Quero saber aceitar o bolero mesmo querendo samba. Quero aprender que a vida muda de ritmo sem nos pedir licença, e também que podemos pedir, em alguns momentos, para a banda tocar nosso ritmo preferido.

Estou construindo a trilha sonora da minha vida a cada instante, e aquele momento, aquele baile, aquelas vidas acrescentaram melodias revigorantes.
Sou grata por cada centelha de vida doada naquele salão.
Vim embora e sonhei dançando...
Assim queria continuar experimentando a vida, sempre acompanhada de uma maravilhosa trilha sonora.

Abramos nossos corações para infinitas melodias...

sexta-feira, 6 de março de 2009

O CIUMENTO



Falar de ciúme é por si só complexo.

O ciúme é voraz e sutil; vai se apossando de nós tal como o fogo vai derretendo a vela progressivamente.

Cuidado com ele. Quando você vê, já se deixou tomar pela sua astúcia.

Dizem que o ciúme deixa a pessoa cega e que ela chega a fazer coisas das quais nem imaginaria.

Por isso mesmo precisamos enfrentá-lo.

Claro que todos nós somos fisgados por ele em algum momento, mas o que não podemos é deixar que ele nos sugue rumo ao território do controle e da posse. Ficar neste terreno é, no mínimo, estressante; é como se você ficasse em estado constante de alerta, e isto inevitavelmente gera um certo estresse que, dada as devidas proporções, esgota você e o outro.

Quando o ciúme se faz presente, podemos perceber nossa criança interna se manifestando, deixando nos escapar aspectos bastante reveladores de nossas inseguranças e fragilidades emocionais.

Vendo isto caberia uma reflexão: que cuidados poderíamos ter para que este sentimento não nos tome por completo?

Conviver com uma pessoa ciumenta é muito cansativo. Parece que você precisa, constantemente, dar explicações de quase tudo o que faz, pois se tem a impressão de que tudo é motivo de desconfiança. Quando não, você é requisitado a confirmar seus sentimentos por ele(a) a todo instante em que se sinta ameaçado.

Qualquer fantasia de abandono é vivenciada com um certo pânico, trazendo desespero e aflição para a convivência.

Sabemos que não se trata de uma opção, isto é, a pessoa não faz uma escolha deliberada para ser ciumento. É uma questão mais complexa e bastante delicada de se tratar, mas o fato é que requer uma atenção melhor e, dependendo da situação, uma abordagem psicoterapêutica do caso. Acredito que deva ser um labirinto existencial também para quem o sente nesta intensidade mais evidente.

É preciso então cuidar de nossas emoções. A nossa saúde mental traz benefícios, primeiramente para nós mesmos e, como consequência, para os que estão a nossa volta.

Costuma-se acreditar que tem coisas que o tempo por si só cura; que a maturidade vem naturalmente ao nosso encontro. Não é bem assim. O tempo cronológico transcorre de forma objetiva e quantificável, enquanto o tempo emocional se comporta de maneira particular, exigindo co-participação, isto é, precisamos imprimir esforços próprios para que algumas questões sejam superadas.


Mergulhar no nosso universo íntimo pode revelar muitas respostas e permitir que o segredo do labirinto comece a ser decifrado.





Muita Paz!!!!